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UPA 24 horas
Geralmente quando eu falo sobre serviços públicos de atendimento médico minhas críticas não são boas. Não gosto de falar sobre política, mas tudo na nossa vida gira em torno de nossos governantes. São eles os responsáveis diretos por muita coisa que acontece no nosso dia: a fila do banco, o carnê atrasado, o nome sujo no SPC, a geladeira vazia, o desemprego, a depressão, a solidão, a falta de perspectivas e sonhos, a doença...
Infelizmente nem sempre temos candidatos que correspondam às nossas expectativas, e o voto passa a ser utilizado como um instrumento de exclusão: vota-se no “menos ruim”... Acontece que é a única arma que o povo tem. Até porque não se governa sozinho – uma equipe consegue governar, e não, um indivíduo. A população tem o dever de manter vigilância constante em seus representantes, tendo o direito de denunciar ou protestar contra as irregularidades e injustiças cometidas.
O povo brasileiro, numa visão geral, é pacífico demais, é alienado, acomodado e medroso. Vemos absurdos acontecendo à nossa volta e fazemos de conta que aquilo não faz parte de nossa realidade. Em sociedade as injustiças cometidas ao cidadão não são realidades paralelas - fazem parte de um conjunto e nós somos peças do mesmo. O marido de minha secretária teve um problema na sua carroceria e ficou com o diferencial corrido, ou seja, uma crise de dor na coluna, lombociatalgia para ser mais técnica.
Ela me contou que, a princípio, foram a um hospital, mas não havia ortopedista. Eu não sei como falta ortopedista em emergências. É imprescindível haver esta especialidade em todos os hospitais e postos de saúde. O quadro que o paciente apresentava poderia ser resolvido por um clínico, mas, tudo bem, lá foram eles para um UPA num bairro próximo: - “Quem disse que padecemos?! Não demorou nem 5 minutos e ele foi muito bem atendido. Tanto os médicos quanto as enfermeiras foram muito atenciosos. O lugar é limpo, bem organizado, nem parece Brasil, coisa de primeiro mundo...”.
Pois é... As coisas estão mudando... Semana retrasada uma paciente minha teve uma trombose na perna quatro dias após uma cesareana. Ela procurou um hospital muito bacana, que tem credenciamento com seu plano de saúde. Esperou 10 horas (sentada, com a perna para baixo e amamentando) numa emergência.
Eu estava viajando e falei com o médico de plantão ao telefone, o qual queria mandar a paciente embora com prescrição de um remedinho qualquer.
O diagnóstico foi feito porque eu a orientei a procurar um amigo para ele fazer um Doppler dos vasos da perna. No dia anterior a paciente já tinha procurado o mesmo serviço. Quem a atendeu garantiu (baseada em um exame de sangue, que eu quero saber qual foi, pois faltei esta aula na faculdade) que ela não tinha nada nas pernas. Leila Marinho Lage
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